terça-feira, 21 de setembro de 2010

Theodor Adorno

Sem fugir da dicotomia suscitada pelo assunto, os temas filosoficos abordam as consequencias dos movimentos e eventos geradores de repercussao; os que precisam parecer loucos e os que precisam que outros pareçam loucos, os loucos da vez,é preciso trazer à cena a Teoria Estética de Adorno, onde diz que a loucura da proposiçao contra a bárbarie atitudes bárbaras sao cabiveis, uma violencia que parecia legitima, após o nazismo e o stalinismo que pretendia mudar o mundo, nao reorientou sua investida e instaura-se uma nova dominaçao natural e ideológica em nome do progresso técnico e científico no controle da industria cultural.
Nao mais manicomios, mas um universo social hermético rigido, cujas poucas aberturas se podem dar pela criatividade, a arte que deseja representar o mundo, manifestaçao do espirito que pretende ser o que nao pode .....um ente definitivo, por enquanto.
htt://pt.wikipedia.org/wiki/theodor-adorno
Acessado as 14hs

O LOUCO ou O TOLO


Como todos sabem de meu interesse pelo TAROT, não poderia deixar de destacar esta carta tão representativa na minha vida hoje.
Tanto pela sua figura, como pela sua descrição, este arcano associa várias das pautas evidenciadas em sala sobre o tema "loucura" e sua história.
O Louco ou Tolo, número zero do baralho, é figura extravagante, sem senso de estética, sem critérios, conflitos nos seus sentimentos e a imagem da decadência. Por não ter um número, dá significado a LIBERDADE e olha para o infinito, nos mostrando que a vida é muito mais do que vemos e a felicidade pode estar além das aparências do dia a dia. Isso quer dizer que muitas vezes nos preocupamos com coisas superficiais e não percebemos o que realmente é importante.
Se torna mais fácil fazer a leitura desta carta quando estudamos a arqueologia do saber do filósofo Focault. A superficial experiência de 15 anos lendo o TAROT, não me trouxe tanto entendimento sobre esta carta, como agora, nesta apreciação crítica da obra "História da Loucura". Fico feliz de poder abrir meus horizontes e conseguir concatenar o TAROT e a PSICOLOGIA.

Afinal, o que foi a experiência Clássica da loucura?

"A loucura precisa da razão para dizer que não tem razão, excluindo a razão da loucura, aprisiona-se a loucura dentro da razão, é esse o deslocamento da percepção da experiência da loucura. Agora o estatuto da loucura é a razão, esse deslocamento na percepção no século XVII vai evidenciar o motivo da grande internação. A grande internação tem uma característica moral e social, moral no sentido de punição, e social no sentido de controle. Agora a percepção social do internamento é a resolução de problemas, não mais o caráter assistencialista da Igreja na Idade Média, e o caráter produtivista econômico da renascença, o internamento é uma função social produzindo uma segregação social e produzindo alienados, o louco passa a ser um alienado, aquele que não tem capacidade de decidir nada na sociedade, a segregação produziu o ser associal." MELO (2009)

"Afinal, o que foi a experiência Clássica da loucura? Um gesto de segregação no século XVII que produziu o alienado, o internamento e a exclusão, o domínio ético da loucura. A experiência Clássica da loucura não reside no fato do internamento, pois este já existia desde o século XIII, reside na criação da figura do alienado, reside no fato de que a loucura perdeu seu estatuto de igualdade frente à razão e passou a ser subsumido e submetido à razão. Com o desatino se tem algo diferente da loucura. A loucura é algo que nos padrões morais não se encaixa na sociedade burguesa, então vira desatino. A razão é estabelecida dentro do domínio moral da sociedade burguesa. Os três elementos básicos da experiência Clássica da loucura são: Alienação da razão, distanciamento da loucura e do louco pelo internamento, e sujeição como forma de controle. A experiência moral do desatino na Idade Clássica é o solo, a base para o entendimento da ciência, e só a partir do distanciamento e do encarceramento da loucura nos muros da razão, para permitir começar a entender e estudá-la como objeto de pesquisa científica. Para Foucault só existe o louco, a figura da loucura é criada no século XVII pela norma social. A insanidade no século XVII acaba ocupando o domínio moral, a partir desse domínio vai abrir as portas para os estudos da psicologia – o que se passa na psiquê, na alma humana; da psiquiatria – do corpo doente, a loucura como patologia; e pela psicanálise – uma arqueologia do inconsciente." MELO (2009)


FONTE: http://perolaspalavras.blogspot.com/2009/10/historia-da-loucura-na-visao-de-michel.html

POSTADO POR ELIANE ABREU

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"Outra forma de alienação designa uma tomada de consciência através da qual o “louco” é “reconhecido, pela sociedade, como estranho a sua própria pátria: ele não é libertado de sua responsabilidade; atribui-se-lhe, ao menos sob as formas do parentesco e de vizinhanças cúmplices, uma culpabilidade moral; é designado como sendo o Outro, o Estrangeiro, o Excluído”."

Essa leitura me fez lembrar aquele livro: O Alienista, na certa algumas de vocês já leram... É do Machado de Assis se eu não me engano...

O protagonista que era um médico decidiu se aventurar pelo campo da psiquiatria e iniciou um estudo sobre a loucura e seus graus, classificando-os. Ele funda a Casa Verde, um hospício na vila de Itaguaí e abastece-o de cobaias humanas, para as suas pesquisas. Mas ele passa a internar todas as pessoas da cidade que ele julgava serem loucas; desde o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa, e etc. Até a sua própria mulher fora internada... Para ele todos eram loucos... foi aplaudido de inicio, mas visto seus exageros nos internamentos gerou uma revolta entre os moradores... (algo assim, faz tempo que li o livro...)... Depois de um tempo ele repensa e inverte o seu critério para o internamento e decide internar a minoria, os ditos simples, leais, sinceros e etc. Até internar-se a si próprio... (português ruinzinho, né?! =p sorry...)...

“... percebe que os germes do desequilíbrio prosperam porque já estavam latentes em todos.”

Que critérios usamos no final das contas para designar alguém como louco??? Fugir do padrão?! Mas se pensarmos, em algum momento de nossas vidas nós fugimos deste padrão também, somos nós loucos, então?? O.o


Uma frase dita por Machado de Assis: "Se você não é um homem, então, não têm palavras o suficiente para falar a respeito de outros homens..."

domingo, 19 de setembro de 2010

Mundo Correcional

No processo de apropriação da loucura pela medicina o conceito de alienação tem um papel estratégico, no momento em que torna-se sinônimo de erro; algo não mais da ordem do sobrenatural, de uma natureza estranha à razão, mas uma desordem desta. A alienação é entendida como um distúrbio das paixões humanas, que incapacita o sujeito de partilhar do pacto social.
Alienado é o que está fora de si, fora da realidade, é o que tem alterada a sua possibilidade de juízo. Através do conceito de alienação o modo de relacionamento da sociedade para com a loucura passa a ser profundamente intermediado por uma ciência que, num primeiro momento, Philippe Pinel define como o alienismo. Se o alienado é incapaz do juízo, incapaz da verdade, é, por extensão, perigoso, para si e para os demais.
A argumentação de Pinel a favor da institucionalização tem como base dois pontos fundamentais relacionados ao conceito de isolamento. Por um lado, no princípio do hospital como lugar de exame, em que isolar é o a priori do conhecer, tal qual no método da Botânica de Lineu, explicitado por Pinel em seu Traité médico-philosophique sur l'aliénation mentale ou la manie como o método mais adequado à ciência. Por outro lado, o isolamento é terapêutico pois a instituição passa a ser organizada de forma a afastar as influências maléficas, morbígenas, que causam e agravam a alienação: a instituição é o instrumento de cura.
O isolamento, semelhante ao estado in vitro, afasta as influências maléficas e a contaminação. O afastamento serve para identificar diferenças entre os objetos. Distinguir os "mansos" dos "agitados", os "melancólicos" dos "sórdidos" e "imundos", os "suicidas", ou seja, esquadrinhar cada tipo classificável, evitando que sua convivência agrave seu estado. O hospício, através do isolamento terapêutico, permite a possibilidade da cura e do conhecimento da loucura a um só tempo. O isolamento é ao mesmo tempo um ato terapêutico (tratamento moral e cura), epistemológico (ato de conhecimento) e social (louco perigoso, sujeito irracional).

Essas operações, como princípios teóricos e atos institucionais propiciam um método; fazem "ver" diferente a figura do louco, agora um "alienado mental", produzem uma visibilidade específica sobre a loucura, construindo um estar louco e um ser louco diferente, no qual o tratamento fundamental é regrar novamente, "dobrar o alienado à razão", numa espécie de ortopedia da alma. Surge o mundo correcional, no qual a disciplina proporciona um retorno à razão. O conceito de "alienação" produz um lugar para o louco, excluído do pacto social, o lugar do sujeito da desrazão ou da ausência de sujeito - sujeito racional e responsável cívica e legalmente - sujeito delirante sem cidadania que deixa de ser um ator social para tornar-se objeto do alienismo.

A história do manicômio mostra como se criou o processo de lidar com o sujeito alienado, alheio, estrangeiro a si próprio, que não é sujeito. No manicômio coloca-se em funcionamento a regra, a disciplina e o tratamento moral para a reeducação do alienado, através do que se torna possível a construção do conceito de uma subjetividade alienada, desregrada. Ao mesmo tempo, a instituição torna-se o lugar de tratamento e a institucionalização, uma necessidade.

Eduardo Henrique Guimarães Torre
Paulo Amarante

sábado, 18 de setembro de 2010

Postado por Adriana Pereira

Nos capítulos 3 e 4 Foucault aborda o tema da internação como uma forma de eliminar, colocar a margem da sociedade aqueles que não correspondem as normas sociais, usando um discurso de “organização”, ignorando os “associais” em nome de uma “ética” que divide a razão e o desatinio ; o bem e o mal. Nesse contexto vale lembrar Freud no seu trabalho O mal estar da civilização, que encontrei num artigo da internet e fiz alguns recortes que achei interessante para complementar o assunto. Se alguém se interessar pode ler o artigo na integra

Artigos > Psicanálise e Psiquiatria > O BODE EXPIATÓRIO

O BODE EXPIATÓRIO

Publicado por Patricia em 7/5/09 (251 leituras)

José Del-Fraro Filho
Psiquiatra, Psicanalista
jose@patriciaejosedelfraro.com.br

Alguns recortes

No seu livro o mal estar da civilização, Freud levanta a questão do Super Ego cultural dizendo que este promove uma ética que regula os relacionamentos humanos e que tenta barrar a agressividade inerente a todo sujeito, substituindo-a por culpa. Para Freud a agressividade desse gesto da internação poderia passar despercebida, na medida em que usavam como pretexto o discurso de que era preciso aprisionar os que não amavam racionalmente. Em nome da sociedade e em nome do amor. Todo esse mecanismo em jogo ainda traria a vantagem de projetar no outro, os desejos, que agora dão contorno somente ao rosto do desatinado, se vendo livres de reconhecerem em si mesmos o mesmo rosto.

Depois usando os conceitos de Marilena Chauí na construção do fenômeno ideologia o artigo diz que A ideologia é o instrumento possível para a dominação das classes. se esta dominação for percebida, os explorados se sentirão no direito de recusa-la. Por isso seu papel é impedir isso, dissimulando e ocultando essa divisão social para esconder sua própria origem. Para isso transforma as idéias particulares de classe dominante em idéias universais válidas para todos.

A universalidade dessas idéias é abstrata, pois existem idéias particulares de cada classe, que faz com que enxerguemos somente a imediatez de uma realidade como algo dado, feito acabado, sem nunca nos indagarmos como foi construída.

Essa classe dominada se revolta com as injustiças sociais, com o desequilíbrio assolador visto em todos os níveis e sentidos na pele, mas consegue no máximo preceber pessoas que estão em nome dessa dominação como os políticos populistas e/ou pseudo-socialistas, mas não percebem que continuam presas nas artimanhas ideológicas. Presa por certos significantes universais já difundidos pela classe dominante.

Essas idéias que colocavam o homem clássico como o dono e o escravo da Razão, deparados de pessoas que a fabricaram, tiveram como uma dos resultados A Grande Internação que correspondeu não só como conseqüência delas, mas como sua própria confirmação e auto-afirmação.

O mundo correlacional funcionava não só como um remédio aos males do coração, mas como um remédio ao conferir pragmatismo à ideologia vigente, na medida em que se pode colocar em prática esse conjunto de idéias . Os “insanos” se, por um ângulo, eram vistos como “veneno” de uma sociedade burguesa e sua ideologia – veneno que podia corroer as estruturas sociais por outro lado, eram os “remédios” com o qual se encontrava alívio, pois com eles se colocava em pratica o estabelecido ideologicamente, fortalecendo-o.

E nos nossos dias?

A atuação de alguns setores do sistema de saúde e de alguns médicos não se presta como remédio só ao sofrimento mental, mas como eterno paliativo para não alcançarmos avanços, na medida em que são coniventes com a ideologia que se iniciou séculos atrás.
Não vemos introjetados os mesmos preconceitos daquela época, onde no gesto da internação se ocultava num gesto de agressividade incomensurável, de culpabilização (bode expiatório) e de pragmatismo de uma ideologia emergente?
Até onde o susto, o espanto de se deparar com a “loucura do Outro”, aguçando em maior ou menor intensidade nossos conflitos e com isso angústia, nos impede de prosseguir, desbravar novos caminhos?
Até que ponto utilizando-se de sutilezas, que não deixa de ser um excelente ingrediente ideológico, ainda não estamos mergulhados em certas práticas daqueles longínquos séculos, onde num certo dia os corações e a liberdade se viram aprisionados nas redes ideológicas?
Nos nossos dias é muito comum “chavões” do tipo:
. “Saúde um direito para todos...”
. “A internação, em certos casos, é a única saída...”
. “Dignidade ao doente mental, ao trabalho médico...”
Frases de efeito que atuam no imaginário do sujeito carente de soluções, frases formuladas pelos dominantes e utilizadas como mero instrumento ideológico. Em nome de alguma coisa que nunca se encontra com o bem-estar social. Avalanche ideológica que nos arrasta cada vez mais à alienação. Alienação esta, que certamente não se confunde com a alienação do Doente mental, mas talvez bem mais daninha. Impregnados por ela, não se pode mais traçar a linha de um rosto diferenciado. Algo da ordem de uma massificação, de uma “coisificação”, se configura numa única imagem: a do rosto-escravo, a do rosto-objeto, sem liberdade, sem cidadania, “parafuso dispensável numa sociedade tecnocrata. (ClariceLispector).”
E é interessante um aspecto que surge através desse comentário: O dito alienado mental, talvez, seja o único livre dessa mesma alienação, na medida em que se refugiando no mundo inconsciente é preso de suas próprias leis, não mais podendo ser analisado como o sujeito que compartilha os códigos de uma dada cultura, que colocaria este indivíduo em condições à rebeldia ou como elemento mantenedor da resignação, fruto último e mais nocivo da ideologia e da alienação. A alienação pode conduzir à morte do sujeito social.
E por fim quero apontar, mais uma vez, o risco que corre a Psiquiatria em nossos dias: ser colaboradora do processo ideológico quem mata o sujeito social transformando-o em objeto social: “Ideologia é um conjunto de idéias, de valores e condutas que prescrevem aos membros da sociedade o que se deve pensar, fazer, sentir, valorizar. Ela prescreve, normaliza, regula, dando aos membros da sociedade dividida por classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais, sem jamais atribuir tais diferenças à divisão da sociedade em classes a partir da divisão na esfera da produção”. Pelo contrário, a função da ideologia é a de apagar as diferenças como a de classes, de oferecer aos membros da sociedade o sentimento da identidade social, encontrando certos referenciais identificadores de todos e para todos como, por exemplo, a Humanidade, Igualdade, Fraternidade, a Nação, a Família... Nascida por causa da luta de classe e da luta de classes, a Ideologia é um corpo teórico (religioso, filosófico, científico) que não pode pensar realmente a luta de classe que lhe deu origem. Por isso nunca diz tudo... Correria o risco de se arrebentar por dentro...
A Ciência pode se prestar ao serviço ideológico e muito... mas pode dizer e não dizer muito mais...
Se o psiquiatra em sua prática encarna o tempo todo e não questiona o chamado “Discurso de Mestre”, onde imaginariamente ocupa o lugar do saber absoluto, não estaria ele sendo, ao mesmo tempo, lacaio de sua própria onipotência e de armações ideológicas mascaradas com o respeitado rótulo de científicas?
E num último viés, o fato da Psiquiatria Biológica ter alcançado grandes avanços, pode servir, por exemplo, como faca de dois gumes: propicia avanços científicos, mas se tomada isoladamente pode ser terreno propício ao enraizamento ideológico. Pode cair num positivismo que tente justificar a miséria psíquica e social, passando por cima de um conjunto de complexos fatores, servindo como campo para práticas inadequadas e retrógradas. Pode servir como alimento a preconceitos e medidas punitivas destinadas às minorias discriminadas desde a Era Clássica. Neste caso, além da enorme contribuição, à manutenção ideológica e morte do sujeito social estaríamos colocando em risco a própria Psiquiatria, enquanto ciência que se presta a aliviar ou no mínimo não compactuar com o sofrimento humano. Aí nesse ponto, a Psiquiatria e o seu louco serviriam de remédio... De remédio a qualquer ameaça de mudança e reestruturação que se fizessem esboçar...


REFLEXÃO ?

No cap. 4, na pág. 134, Foucault, nos coloca o conceito tão estranho da alienação psicológica, acorrentando sempre o outro em relação a sua liberdade. O louco, todos que naquele momento histórico gritam contra o controle e repressão, o que o racionalismo autorizou entre o castigo e o remédio de acordo com o cap. 3 na pág. 87, o gesto que pune e o gesto que cura.

Hoje ainda temos em nossa sociedade castigos e remédios, quando, por exemplo, além da palmada tão discutida hoje em dia contra a criança, aquela que não tem como se defender, a palmada psicológica que castiga, que sugere o medo, a coerção. Dogmas e rotulações feitas que restringem a capacidade da análise e reflexão, colocados de tal forma que inibem o ser pensante de pensar. E que tal os hiper-reativos em vez dos hiper-ativos?

Quem deixa quem louco? Luis Antônio Baptista, em seu texto “A atriz, o padre e a psicanalista – os amoladores de facas” nos diz:

“O fio da faca que esquarteja, ou o tiro certeiro nos olhos, possui alguns aliados, agentes sem rostos que preparam o solo para esses sinistros atos. Sem cara ou personalidade, podem ser encontrados em discursos, textos, falas, modos de viver, modos de pensar que circulam entre famílias, jornalistas, prefeitos, artistas, padres, psicanalistas, etc. Destituídos de aparente crueldade, tais aliados amolam a faca e enfraquecem a vítima, reduzindo-a a pobre coitado, cúmplice do ato, carente de cuidado, fraco e estranho a nós, estranho a uma condição humana plenamente viva.”

A falta de algo, um laço partido, isso leva as pessoas a sala de terapia seja ela qual for, a uma religião ou a qualquer outra situação que a faça procurar esse depender.

Vejo que toda a dependência é a falta de algo, um desejo que não é satisfeito, onde o sujeito busca suprir, Freud diria que é sublimar, direciona o desejo para outra coisa. mas a questão é a falta de que? Pulsão de vida, pulsão de morte? Mas essa falta parece-nos a falta de alguém, já que o homem é um ser social e precisa constantemente estar sendo exaltado, isto é se sentir alguém e não um ninguém, precisa ser em vez de ter, num universo tão complexo, e a falta desse ser e estar como potência, como um ser reconhecido que muitas vezes é ressachado pelo outro, o outro que depende, que o leva a condições muitas vezes patológicas ou poderíamos dizer nos dias de hoje ´´normais``, porque poucos são os enaltecidos. Esses seriam os anormais, gozando de toda condição de superioridade, de ter o tão desejado valor, e então procurar o ter em vez do ser.

Daí as doenças da dependência. Dependências não satisfeitas, dor que invade a alma, a falta, que precisa ser preenchida de diversas formas, e assim substituída por diversas maneiras que preenchem essas brechas para o não pensar, e se não preencher entra num sistema de insatisfação, levando as tristezas dessa falta, que já não mais reconhece.

Mas e se tiver tudo isso suprido, o homem consegue ir em frente?Ou se acomoda de todas as lutas, Então esse é o excitamento a que o homem é levado em busca de suas escolhas e de seus projetos? È necessário? Qual seria a dose?

E porque adoece? Não acha mais projeto, não tem mais excitamento, nada mais lhe é interessante? E quando isso acontece? Seria o não ser notado, desvalorizado, a falta?

Pichon concebe o vínculo como uma estrutura dinâmica em contínuo movimento, que engloba tanto o sujeito como o objeto e afirma que esta estrutura dinâmica apresenta características consideradas normais e alterações interpretadas como patológicas. Considera um vínculo normal àquele que se estabelece entre o sujeito e um objeto quando ambos têm possibilidades de fazer uma escolha livre de um objeto, como resultado de uma boa diferenciação entre ambos.

E nenhum paciente apresenta um tipo único de vínculo: todas as relações de objeto e todas as relações estabelecidas com o mundo são mistas. Existe uma divisão que é mais ou menos universal, no sentido de que por um lado se estabelecem relações de um tipo, e por outro, de um tipo diverso. ( Pichon-riviére, 1991) sendo assim, uma pessoa pode estabelecer um vínculo paranóico por um lado, e por outro um vínculo normal ou ainda um vínculo tendendo à hipocondria, isso porque as relações que o sujeito estabelece com o mundo são variadas, bem como as estruturas vinculares que utiliza.

De Certeau no discurso do homem ordinário, nos fala das caças não autorizadas a que o homem recorre num ir e vir no seu cotidiano e este esta movido pelo excitamento do querer e do ser no sobreviver usando de táticas que me reporta a Derrida nos colocando diante do advém, desconstruindo lógicas intruncadas posicionadas que estão além do bem e do mal, fazendo-nos refletir que justiça é diferente de direito, e o bicho homem movido por um desejo de ser estará confrontando para deixar de ser um apenas cada um , levando o homem na representação diária dos papéis, trazendo o olhar de Foucault diante da loucura que nos atrela a realidade pragmática e dogmática da punição social que coloca os sujeitos num devido lugar para conforto de alguns, sempre substituindo os momentos de um a outro, na necessidade complexa do penalizar alguém.

E como tudo depende, depende da cultura, depende do momento, depende de quem e de como, e assim a loucura também depende. E fica aqui a pergunta depende de que?